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A nova realidade das startups

A nova realidade das startups

A nova realidade das startups

No início da década passada, pequenas empresas começaram a se tornar gigantes do mercado. Startups como Meta e Uber revolucionaram o mundo das startups e influenciaram diversos jovens empreendedores no Brasil e no mundo, que decidiram levar suas ideias para investidores e ampliar o tamanho de sua marca no mercado.

Combinando isso com o avanço tecnológico observado no mundo inteiro, as startups tiveram um boom no país e desencadearam uma série de novos negócios.

Naquela época, as startups eram vistas como pequenas empresas inovadoras que se tornariam gigantes em um período de cinco ou dez anos. No entanto, essa realidade não é a mesma dos dias atuais.

Com o aumento desses investimentos nos últimos anos, o mercado de startups ficou congestionado e fez com que os investidores ficassem cada vez mais exigentes, buscando, além de ideias e growth, indicadores operacionais e financeiros.

Essa realidade não se aplica somente às empresas pequenas. Grandes organizações, como Netflix e Uber, também passaram a otimizar suas operações para buscar mais rendimentos e mostrar ao investidor seus indicadores.

Confira neste artigo como as startups estão lidando com a falta de investimento nos dias de hoje e como isso afeta negativamente setores como o de recrutamento e seleção.

A queima de dinheiro das startups e a falta de investimentos

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Um mau planejamento financeiro é o que mais fere o investimento das startups atualmente. Fonte: Freepik/kstudio

Para conseguir cada vez mais clientes, é preciso que uma empresa invista pesado em sua marca, seus produtos e, principalmente, no marketing. É comum, no caso das startups, que primeiro se pense na aquisição de usuários e clientes para depois pensar nos resultados financeiros. Isso acontece para mostrar o potencial da empresa no futuro, com um pensamento macro.

Essa é uma pressão colocada sobre as empresas para que elas comecem a lucrar e cheguem ao breakeven de forma mais rápida. Assim, a empresa começa a receber seus investimentos de volta, o que alegra o grupo de investidores e dá a entender que o crescimento é iminente.

Porém, essa é uma tarefa difícil de ser conquistada, principalmente nos últimos tempos, com a alta dos juros. Isso fez com que os investidores ficassem mais exigentes, querendo resultados mais rápidos e enxergando os lucros a curto prazo, o que afetou o número de investimentos ultimamente.

Na última década, o boom de startups foi gigantesco. Um dos grandes motivos desse crescimento nos anos 2010 foi a necessidade de inovar após a crise econômica de 2008. Além disso, o desenvolvimento desenfreado do mundo digital auxiliou esses empreendedores com ideias que revolucionaram o mercado.

Alguns exemplos de startups que deram certo nos últimos dez anos e são referência hoje em dia são Netflix, Airbnb, Twitter, Facebook, entre muitas outras. Essas empresas, que hoje são gigantes do mercado, também começaram com pequenos investimentos e se tornaram pioneiras em seus setores. 

Segundo Vitor Hugo Lourenço, head de sales da RPO Solutions, esse fenômeno aconteceu graças à promessa de sucesso futuro, o que é comum entre as startups. 

“Há dois anos ou mais, você comprava mais a ideia e pensava mais nos indicadores de aquisição. Por exemplo, se eu tenho X mil clientes hoje, mesmo que eu não rentabilize, daqui a alguns anos esses clientes vão começar a me pagar”, afirmou.

Ainda na questão de rendimentos, Lourenço completa dizendo que, atualmente, o mercado não está funcionando desta forma. Isso acontece porque os investidores querem ver mais resultados em um curto período de tempo. Ou seja, as startups não têm mais 5 ou dez anos para começar a lucrar. É preciso ser eficiente em menos tempo e mostrar aos investidores que o negócio está dando certo.

Por conta disso, é possível ver nos dias de hoje a diminuição desses investimentos em massa. Atualmente, é preciso ter uma tese mais sólida e validada, que funcione rapidamente e comece a lucrar de forma mais rápida para que o investimento não seja queimado antes da hora e traga mais confiança aos investidores.

Por outro lado, o aumento da taxa de juros e os prejuízos que as grandes e disruptivas empresas tiveram, faz com que os fundos olhem para esses investimentos como risco. O que corrobora ainda mais para redução dos investimentos em novas startups.

Se antes o objetivo dessas empresas era gastar seu investimento para marcar seu território no mercado e ultrapassar seus concorrentes, atualmente a realidade é outra. É preciso administrar bem o negócio para que ele cresça de maneira mais sustentável, mostrando aos investidores sua capacidade de desenvolvimento na prática, e não somente com promessas.

Enquanto isso acaba ferindo muitas startups que já possuem muitos anos de experiência, as novas empresas que estão surgindo acabam se beneficiando deste cenário. Dessa forma, elas conseguem se planejar melhor para o futuro e evitam prejuízos desnecessários e demissões em massa, como está acontecendo com as grandes startups do mercado, principalmente no Brasil.

As demissões em massa e o impacto para a marca empregadora

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A falta de planejamento com investimentos é o que causa o grande número de demissões nas startups. Fonte: Freepik

Com uma maior exigência dos investidores do mercado, juntamente com a alta dos juros e o medo de uma nova crise econômica, os investimentos em startups foram caindo nos últimos dois anos. Isso fez com que os “unicórnios” – nome dado a startups que possuem valor acima de US$ 1 bilhão – registrassem queda nos lucros, causando impacto interno nessas empresas.

Ou seja, as empresas que não conseguiram controlar seu caixa se viram em uma situação difícil para qualquer organização: o corte de gastos. E, para essas startups, a única solução é reduzir o quadro de funcionários e diminuir os gastos com a folha de pagamento.

A demissão em massa é comum entre empresas que estão perdendo investimentos e não estão obtendo lucro. Porém, a forma como ela é feita é o motivo pelo qual a reputação da empresa e sua marca empregadora são totalmente afetadas, principalmente com os cortes que estamos vendo nos últimos anos.

Claro que demitir uma quantidade grande de funcionários nunca é fácil. No entanto, existem diversas formas de realizar o desligamento de um grupo de colaboradores. É preciso que a empresa seja transparente sobre a situação atual e mostre que este é o único caminho, sem tentar iludir o colaborador de que tudo está sob controle, quando na verdade não está.

Para Lourenço, isso fere a imagem da empresa e sua marca empregadora. “Ainda mais por esse ser um mundo de startups, onde as pessoas estão sempre conectadas umas às outras, com certeza essas empresas vão ter um problema com sua marca. 

As pessoas que estão saindo vão ser responsáveis por informar a outros profissionais como é trabalhar naquela empresa e como foi a experiência dela. Se foi uma experiência ruim, a reputação da empresa também será ruim”, comenta.

Ainda segundo Lourenço, isso tem a ver com a cultura da empresa, que deve ser colocada em prática desde o momento do recrutamento e seleção de profissionais até o seu desligamento. Se as equipes de pessoas e cultura valorizam seus colaboradores desde o início ao fim do ciclo, as chances dessa pessoa enxergar a empresa com maus olhos, mesmo após a demissão, são consequentemente menores.

Portanto, além de pensar em todos os investimentos e todo o lucro que a empresa deve obter, também é preciso pensar no quadro de funcionários e como as atitudes da empresa vão impactar não somente sua imagem interna, mas também a imagem externa para futuros candidatos e investidores.

Conclusão

Na última década, por conta dos juros baixos, era mais fácil apresentar uma ideia e logo conquistar investidores para bancar uma startup. Com essa mudança de cenário na economia, tanto brasileira quanto mundial, o mercado também mudou.

Os investidores passaram a ser mais responsáveis e apostar apenas em ideias rentáveis. Se antes os lucros eram esperados entre cinco e dez anos, atualmente a necessidade de mostrar resultados de forma mais rápida ficou maior.

Por conta disso, é preciso que as startups tenham um bom plano estratégico para não queimarem seus investimentos de uma vez e apresentarem esses resultados de forma mais eficaz. 

Esse fator também influencia em outros pilares da empresa, como a marca empregadora. Um mau planejamento pode causar uma série de demissões. Dependendo da forma que esses desligamentos em massa são feitos, a marca empregadora da empresa pode ser afetada negativamente e mostrar uma má imagem no mercado.

Todos estão sujeitos a cometerem erros. Porém, é preciso tratar o colaborador de uma forma mais humanizada, desde o começo do processo de seleção até o seu desligamento. Isso acaba nutrindo a marca empregadora e não fere a imagem da empresa com outros possíveis colaboradores.

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